04/12/2025

Paranóia

  


Já há alguns dias ele vinha tendo a sensação de estar sendo seguido. Começou com a vaga impressão de ter visto um vulto, numa noite clara em que resolvera passear a pé pelo bairro. Não deu muita atenção ao fato naquele dia – atribuiu-o à paranóia dos nossos tempos, em que o medo da criminalidade é estimulado diariamente pela imprensa.

Numa outra ocasião, quando voltava da padaria, pela manhã, teve a nítida sensação de ver um homem se escondendo no exato momento que olhava para trás. Começou a ficar preocupado – afinal, é tanta notícia de violência banal que se vê por aí… Fatos semelhantes foram se sucedendo, e o pânico foi tomando conta do seu dia-a-dia. Começou a pensar em reduzir o tempo de suas caminhadas, sair cada vez menos de casa, reforçar as fechaduras.

Chegou um momento em que qualquer ruído lhe tirava o sono, durante a noite. Um carro que passasse mais devagar em frente à sua residência e lá estava ele, olhando furtivamente por uma fresta da janela, com as luzes apagadas. Se, de madrugada, passasse alguém conversando alto, acreditava que era uma quadrilha inteira prestes a invadir sua casa.

O pior é que continuava tendo motivos para acreditar que alguém lhe seguia. O vulto começava a adquirir forma, cor e estatura, embora nunca o visse claramente. Chegou a acreditar que estava ficando louco.

Uma noite, num dos raros momentos em que se entregava ao sono, foi despertado por um barulho ensurdecedor no quintal, mais exatamente no lugar onde guardava suas tralhas. São eles, pensou. Seguiram-me tempo suficiente para conhecer meus hábitos, saber que moro sozinho, que sou aposentado, conhecer o que tenho de valor. Agora vêm à minha casa para levar meus pertences e me barbarizar! Pensou em ligar para a polícia, mas desistiu. Não adiantaria. Antes que conseguisse completar a ligação, com certeza já estaria morto.

Por fim, tomado de súbita e insana coragem, decidiu: enfrentaria os assassinos! Fossem quantos fossem, tivessem as armas que tivessem, ele não teria mais medo. Não agora. Que morresse, e que fosse uma morte dolorosa, mas o medo teria fim. Não mais viveria acuado, apavorado, muito menos nos seus últimos instantes de vida. Com essa determinação, levantou-se de um salto e dirigiu-se à porta da sala.

Chegando ao quintal, pôde ver o vulto já familiar saltando o muro, em fuga. Não viu mais ninguém. Ensandecido, não pensou duas vezes: saiu em perseguição ao seu assassino pelas ruas desertas. Correu como havia tempo não corria, a ponto de se admirar do seu vigor físico, sempre sem perder de vista o seu algoz. Aos poucos a distância entre eles foi diminuindo, até que, totalmente sem fôlego, o fugitivo encostou-se em um muro, abatido.

O perseguidor, ao ver que sua presa estava tão perto, já não tinha mais tanta coragem, e foi se aproximando cautelosamente. Arriscou começar um interrogatório:

– O que buscava na minha casa, safado! – tentou impor respeito pela voz, mas esta lhe saiu trêmula.

– Não me machuque, por favor. Só estava cumprindo meu dever – disse o homem, e agora dava para ver nitidamente suas feições. Era um senhor de meia idade, calvo, com aparência sofrida. Definitivamente não tinha cara de assassino, parecia mais um velho funcionário público, desses que ficam arrastando os pés atrás de um balcão poeirento, ou um dono de banca de jornal, daquelas que existem há décadas na mesma esquina

– E o seu dever é assaltar casas de aposentados? Agora a coragem já havia voltado por completo, mas a raiva se esmaecia. O homem inspirava comiseração.

– Fui incumbido de espionar o senhor. Estava justamente tentando fotografar o interior da sua casa quando me enrosquei em umas caixas velhas e caí, arrastando tudo. Foi isso que me denunciou.

– Espionar-me?! Agora que ele reparava na máquina fotográfica que o homem trazia. Mas quem teria interesse nisso?!

– O senhor é suspeito de estar envolvido com grupos subversivos. Minha obrigação é mantê-lo sob constante vigilância.

Subversivo?! A única atividade que já tivera, que poderia ser classificada como subversiva, foi ter participado de algumas reuniões do sindicato, há mais de trinta anos.

– E desde quando você está me seguindo?

– Desde 1968. Um dia eu recebi a ordem juntamente com os seus dados. Onde deveria me alojar, a que coisas deveria me atentar. Tudo foi preparado com antecedência. Depois disso, nunca mais me contactaram. Me virei esse tempo todo com meus próprios meios, mas não abandonei minha missão. Tenho seguido seus passos desde então. Acompanhei praticamente sua vida inteira, cada mulher com quem saía, cada amigo que recebia em casa para uma cerveja, cada novo emprego, nova residência. Todas as festas que freqüentou. São pilhas e pilhas de relatórios que redigi esses anos todos e que nunca vieram buscar.

– E por que nunca me dei conta da sua presença?- perguntou, incrédulo.

– Sou um profissional. Sempre consegui fazer as coisas sem despertar a atenção. Acontece que a gente vai ficando velho, os reflexos não são mais os mesmos, os músculos já não respondem mais com a mesma presteza, e acabou que estamos aqui.

Acreditava ou não naquela história? Agora que havia ouvido tudo isso, começava a achar que conhecia o homem de algum lugar, mesmo. Quem sabe não o vira por várias vezes, de relance? Uma trombada em uma festa, um esbarrão no metrô, um entreolhar rápido na fila do cinema. Já estava acreditando ter visto aquele homem diversas vezes durante sua vida. Mas a história era por demais absurda.

– Seja como for, acabou. Hoje sou um professor aposentado, nunca cheguei a ter qualquer relação com nenhuma organização “subversiva”, como você mesmo deve ter constatado, se é mesmo um profissional.Ademais, o governo que o contratou já não existe há anos. Sua carreira de espião acabou. Se eu lhe pegar novamente nas imediações, não garanto por sua integridade física.

– Por favor, não! Tudo o que sei fazer é espionar. Aliás, tudo o que sei fazer é espionar o senhor. Pode fazer qualquer coisa comigo, menos me obrigar a interromper meu trabalho, é o que me mantém vivo!

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Ao entrar na padaria, deu uma olhada involuntária para trás. Ainda foi possível ver o vulto se escondendo. Preciso ficar mais atento, pensou, ou vou acabar criando uma situação constrangedora. Comprou o pão de todo dia e saiu, tomando cuidado desta vez de não olhar para trás sem antes dar tempo ao seu espião de se esconder.



02/12/2025

Como organizar Documentos e Contas

   Fonte: https://www.casinhaarrumada.com/2018/07/como-organizar-a-papelada-em-5-etapas-contas-e-documentos.html


Já aconteceu de precisar urgentemente de um documento e não encontrá-lo? Quando os papéis se acumulam é muito fácil se perder na montanha deles que lotam as gavetas. O jeito é organizar a papelada.


Separar algumas horinhas do dia para realizar a tarefa de organizar contas e documentos pode fazer uma grande diferença na sua vida financeira. Isso porque a organização é importantíssima para não perdermos tempo e a paz de espírito procurando por algo importante. Além disso, organizar a papelada implica diretamente em organizar a nossa vida financeira, e, por conseguinte, o quanto e como gastamos.


Como organizar a papelada em 5 etapas


ETAPA 1

REÚNA TUDO PARA COMEÇAR A ORGANIZAR A PAPELADA

Dê o primeiro passo! Apanhe uma caixa qualquer e comece a andar pela casa reunindo todos os papéis que estiverem espalhados ou em desordem. Olhe na sala, na cozinha, no escritório, no quarto e dentro de qualquer gaveta ou cantinho onde possa haver um papel espalhado. Coloque todos eles dentro da caixa sem se preocupar se este ou aquele devem ir para o lixo.


ETAPA 2

COMECE JOGANDO FORA O QUE VOCÊ NÃO PRECISA

Em um dia tranquilo, despeje todo o conteúdo da caixa no chão e comece a organizar a papelada pensando primeiramente em quais documentos podem ser descartados. Para isso, faça três pilhas:


Como organizar a papelada em 5 etapas

(1) para os documentos que precisam ser guardados e arquivados;

(2) para os documentos que você deve delegar a alguém;

(3) para os documentos que podem ser descartados.


Antes de colocar um papel sobre a pilha de documentos que precisam ser guardados, pergunte a si mesma se aquele papel é realmente importante. Não perca tempo arquivando papéis desnecessários. Você tem dúvida com relação ao tempo que precisa guardar cada documento? Via de regras, são os seguintes:


Quais documentos guardar por 1 ano


♦ Contratos de seguro

♦ Canhotos do cartão de crédito

♦ Extratos bancários e dos cartões de crédito


Quais documentos guardar por 5 anos


♦ Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF)

♦ Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU)

♦ Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA)

♦ Comprovantes de pagamento de contas de água, luz, telefone e outros serviços essenciais

♦ Comprovantes de pagamento de aluguel

♦ Comprovantes de pagamento de cartões de crédito

♦ Comprovante de pagamento de mensalidades escolares

♦ Comprovante de pagamento de cursos livres


Quais documentos guardar por 10 anos


♦ Declarações de quitação do pagamento de condomínio


Quais documentos guardar para sempre


♦ Documentos pessoais

♦ Certidões

♦ Passaportes

♦ Escrituras

♦ Carnês do INSS

♦ Hollerites

♦ Testamento



ETAPA 3

ORGANIZE OS DOCUMENTOS QUE PRECISAM SER GUARDADOS EM CATEGORIAS

Por que categorizá-los? Assim fica mais fácil encontrá-los uma vez que estão separados por categorias. Para isso, pegue aquela pilha de documentos que precisam ser arquivados e comece a separá-los e organizá-los. Algumas das categorias mais comuns segundo a personal organizer Donna Smallin são:


Seguros – de carro, casa, vida, invalidez, médico.


Finanças – contas bancárias, contas de crédito, hipotecas, investimentos.


Propriedades – recibos relativos à casa (reformas, decoração, objetos de valor), manuais e recibos de equipamentos eletroeletrônicos, documentos de compra de automóveis e recibos de oficinas.

Impostos – recibos do ano em curso e outros documentos relativos a taxas em geral.

Registros médicos.

Registros veterinários.

Com base nas categorias acima, crie o seu próprio arquivo!


ETAPA 4

ORGANIZE OS DOCUMENTOS EM PASTAS OU CAIXAS ORGANIZADORAS

Agora que você já separou os documentos em categorias, é hora de começar a guardá-los. Existem caixas, maletas e pastas dos mais diferentes tamanhos, formatos e cores nas papelarias. Você deve escolher o método que melhor se adapte as suas necessidades. Por exemplo, se você vai guardar a papelada em uma gaveta grande, opte pelas pastas comuns e pastas sanfonadas. Se o que você pretende é guardar os documentos em uma estante, opte pelas caixas e maletas arquivo.


O mais legal é que você consegue comprar tudo pela internet e receber em casa!


1 – Caixa Organizadora Média Branco

2 – Maleta Arquivo Empilhável

3 – Pasta Sanfonada 12 divisórias

4 – Caixa Organizadora Média Preto

5 – Maleta Arquivo com Pastas Suspensas


Com todo o material em mãos, comece a organizar os documentos dentro das pastas. Na frente dela, escreva o nome da categoria principal – por exemplo, “contas pagas”. Então, em cada uma das abas dentro da pasta, escreva o nome da subcategoria – por exemplo, “luz”, “água”, “telefone” e “aluguel”. Faça isso até todos os documentos estarem organizados e guardados!


Outra dica legal é usar uma caixa organizadora para guardar e organizar os álbuns de fotografia. Aqui em casa, eles ficavam todos espalhados dentro de uma gaveta e eu decidi guardar tudo dentro de uma caixa organizadora. Coloquei a caixa na estante da sala, assim as fotografias ficam de fácil acesso e a caixa ainda decora a estante!


ETAPA 5

ORGANIZE AS CONTAS A PAGAR

É interessante criar um arquivo apenas para as contas a pagar. Separe uma pasta ou uma caixa apenas para isso. Você deve deixá-la sempre ao alcance das mãos para colocar ali todas as contas a pagar. Outra ideia: você pode também organizar as contas a pagar em uma pasta sanfonada onde cada divisão destine-se a um mês do ano e ir guardando ali as contas por mês de vencimento. Faça como parecer melhor para você!


E essas foram as dicas para você colocar ordem na papelada e na sua vida financeira de uma vez por todas! Falamos sobre organizar contas e documentos, mas é claro que existem outra infinidade de papéis que se acumulam em casa sem percebermos. Mas isso é assunto para outro post! 


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Veja mais sobre Como organizar DOCUMENTOS e CONTAS no youtube









01/12/2025

Garfield 5: toneladas de diversão

  Esta é uma tira do gibi Garfield 5: Toneladas de diversão, e está na página 113.


Em Garfield – Toneladas de diversão, o gato mais amado do mundo sai de férias com seu dono, Jon, e o cão Odie e vai aprontar as suas em uma praia tropical. E para mostrar que além de apetite e sarcasmo tem também coração, ele apresenta aos leitores seu mais querido companheiro: um ursinho de pelúcia.

Garfield foi criado pelo norte-americano Jim Davis em 1978 e figura em tiras publicadas diariamente em mais de 2,5 mil jornais do mundo inteiro.



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Gibi Garfield 5: toneladas de diversão