04/12/2025

Paranóia

  


Já há alguns dias ele vinha tendo a sensação de estar sendo seguido. Começou com a vaga impressão de ter visto um vulto, numa noite clara em que resolvera passear a pé pelo bairro. Não deu muita atenção ao fato naquele dia – atribuiu-o à paranóia dos nossos tempos, em que o medo da criminalidade é estimulado diariamente pela imprensa.

Numa outra ocasião, quando voltava da padaria, pela manhã, teve a nítida sensação de ver um homem se escondendo no exato momento que olhava para trás. Começou a ficar preocupado – afinal, é tanta notícia de violência banal que se vê por aí… Fatos semelhantes foram se sucedendo, e o pânico foi tomando conta do seu dia-a-dia. Começou a pensar em reduzir o tempo de suas caminhadas, sair cada vez menos de casa, reforçar as fechaduras.

Chegou um momento em que qualquer ruído lhe tirava o sono, durante a noite. Um carro que passasse mais devagar em frente à sua residência e lá estava ele, olhando furtivamente por uma fresta da janela, com as luzes apagadas. Se, de madrugada, passasse alguém conversando alto, acreditava que era uma quadrilha inteira prestes a invadir sua casa.

O pior é que continuava tendo motivos para acreditar que alguém lhe seguia. O vulto começava a adquirir forma, cor e estatura, embora nunca o visse claramente. Chegou a acreditar que estava ficando louco.

Uma noite, num dos raros momentos em que se entregava ao sono, foi despertado por um barulho ensurdecedor no quintal, mais exatamente no lugar onde guardava suas tralhas. São eles, pensou. Seguiram-me tempo suficiente para conhecer meus hábitos, saber que moro sozinho, que sou aposentado, conhecer o que tenho de valor. Agora vêm à minha casa para levar meus pertences e me barbarizar! Pensou em ligar para a polícia, mas desistiu. Não adiantaria. Antes que conseguisse completar a ligação, com certeza já estaria morto.

Por fim, tomado de súbita e insana coragem, decidiu: enfrentaria os assassinos! Fossem quantos fossem, tivessem as armas que tivessem, ele não teria mais medo. Não agora. Que morresse, e que fosse uma morte dolorosa, mas o medo teria fim. Não mais viveria acuado, apavorado, muito menos nos seus últimos instantes de vida. Com essa determinação, levantou-se de um salto e dirigiu-se à porta da sala.

Chegando ao quintal, pôde ver o vulto já familiar saltando o muro, em fuga. Não viu mais ninguém. Ensandecido, não pensou duas vezes: saiu em perseguição ao seu assassino pelas ruas desertas. Correu como havia tempo não corria, a ponto de se admirar do seu vigor físico, sempre sem perder de vista o seu algoz. Aos poucos a distância entre eles foi diminuindo, até que, totalmente sem fôlego, o fugitivo encostou-se em um muro, abatido.

O perseguidor, ao ver que sua presa estava tão perto, já não tinha mais tanta coragem, e foi se aproximando cautelosamente. Arriscou começar um interrogatório:

– O que buscava na minha casa, safado! – tentou impor respeito pela voz, mas esta lhe saiu trêmula.

– Não me machuque, por favor. Só estava cumprindo meu dever – disse o homem, e agora dava para ver nitidamente suas feições. Era um senhor de meia idade, calvo, com aparência sofrida. Definitivamente não tinha cara de assassino, parecia mais um velho funcionário público, desses que ficam arrastando os pés atrás de um balcão poeirento, ou um dono de banca de jornal, daquelas que existem há décadas na mesma esquina

– E o seu dever é assaltar casas de aposentados? Agora a coragem já havia voltado por completo, mas a raiva se esmaecia. O homem inspirava comiseração.

– Fui incumbido de espionar o senhor. Estava justamente tentando fotografar o interior da sua casa quando me enrosquei em umas caixas velhas e caí, arrastando tudo. Foi isso que me denunciou.

– Espionar-me?! Agora que ele reparava na máquina fotográfica que o homem trazia. Mas quem teria interesse nisso?!

– O senhor é suspeito de estar envolvido com grupos subversivos. Minha obrigação é mantê-lo sob constante vigilância.

Subversivo?! A única atividade que já tivera, que poderia ser classificada como subversiva, foi ter participado de algumas reuniões do sindicato, há mais de trinta anos.

– E desde quando você está me seguindo?

– Desde 1968. Um dia eu recebi a ordem juntamente com os seus dados. Onde deveria me alojar, a que coisas deveria me atentar. Tudo foi preparado com antecedência. Depois disso, nunca mais me contactaram. Me virei esse tempo todo com meus próprios meios, mas não abandonei minha missão. Tenho seguido seus passos desde então. Acompanhei praticamente sua vida inteira, cada mulher com quem saía, cada amigo que recebia em casa para uma cerveja, cada novo emprego, nova residência. Todas as festas que freqüentou. São pilhas e pilhas de relatórios que redigi esses anos todos e que nunca vieram buscar.

– E por que nunca me dei conta da sua presença?- perguntou, incrédulo.

– Sou um profissional. Sempre consegui fazer as coisas sem despertar a atenção. Acontece que a gente vai ficando velho, os reflexos não são mais os mesmos, os músculos já não respondem mais com a mesma presteza, e acabou que estamos aqui.

Acreditava ou não naquela história? Agora que havia ouvido tudo isso, começava a achar que conhecia o homem de algum lugar, mesmo. Quem sabe não o vira por várias vezes, de relance? Uma trombada em uma festa, um esbarrão no metrô, um entreolhar rápido na fila do cinema. Já estava acreditando ter visto aquele homem diversas vezes durante sua vida. Mas a história era por demais absurda.

– Seja como for, acabou. Hoje sou um professor aposentado, nunca cheguei a ter qualquer relação com nenhuma organização “subversiva”, como você mesmo deve ter constatado, se é mesmo um profissional.Ademais, o governo que o contratou já não existe há anos. Sua carreira de espião acabou. Se eu lhe pegar novamente nas imediações, não garanto por sua integridade física.

– Por favor, não! Tudo o que sei fazer é espionar. Aliás, tudo o que sei fazer é espionar o senhor. Pode fazer qualquer coisa comigo, menos me obrigar a interromper meu trabalho, é o que me mantém vivo!

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Ao entrar na padaria, deu uma olhada involuntária para trás. Ainda foi possível ver o vulto se escondendo. Preciso ficar mais atento, pensou, ou vou acabar criando uma situação constrangedora. Comprou o pão de todo dia e saiu, tomando cuidado desta vez de não olhar para trás sem antes dar tempo ao seu espião de se esconder.



02/12/2025

Como organizar Documentos e Contas

   Fonte: https://www.casinhaarrumada.com/2018/07/como-organizar-a-papelada-em-5-etapas-contas-e-documentos.html


Já aconteceu de precisar urgentemente de um documento e não encontrá-lo? Quando os papéis se acumulam é muito fácil se perder na montanha deles que lotam as gavetas. O jeito é organizar a papelada.


Separar algumas horinhas do dia para realizar a tarefa de organizar contas e documentos pode fazer uma grande diferença na sua vida financeira. Isso porque a organização é importantíssima para não perdermos tempo e a paz de espírito procurando por algo importante. Além disso, organizar a papelada implica diretamente em organizar a nossa vida financeira, e, por conseguinte, o quanto e como gastamos.


Como organizar a papelada em 5 etapas


ETAPA 1

REÚNA TUDO PARA COMEÇAR A ORGANIZAR A PAPELADA

Dê o primeiro passo! Apanhe uma caixa qualquer e comece a andar pela casa reunindo todos os papéis que estiverem espalhados ou em desordem. Olhe na sala, na cozinha, no escritório, no quarto e dentro de qualquer gaveta ou cantinho onde possa haver um papel espalhado. Coloque todos eles dentro da caixa sem se preocupar se este ou aquele devem ir para o lixo.


ETAPA 2

COMECE JOGANDO FORA O QUE VOCÊ NÃO PRECISA

Em um dia tranquilo, despeje todo o conteúdo da caixa no chão e comece a organizar a papelada pensando primeiramente em quais documentos podem ser descartados. Para isso, faça três pilhas:


Como organizar a papelada em 5 etapas

(1) para os documentos que precisam ser guardados e arquivados;

(2) para os documentos que você deve delegar a alguém;

(3) para os documentos que podem ser descartados.


Antes de colocar um papel sobre a pilha de documentos que precisam ser guardados, pergunte a si mesma se aquele papel é realmente importante. Não perca tempo arquivando papéis desnecessários. Você tem dúvida com relação ao tempo que precisa guardar cada documento? Via de regras, são os seguintes:


Quais documentos guardar por 1 ano


♦ Contratos de seguro

♦ Canhotos do cartão de crédito

♦ Extratos bancários e dos cartões de crédito


Quais documentos guardar por 5 anos


♦ Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF)

♦ Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU)

♦ Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA)

♦ Comprovantes de pagamento de contas de água, luz, telefone e outros serviços essenciais

♦ Comprovantes de pagamento de aluguel

♦ Comprovantes de pagamento de cartões de crédito

♦ Comprovante de pagamento de mensalidades escolares

♦ Comprovante de pagamento de cursos livres


Quais documentos guardar por 10 anos


♦ Declarações de quitação do pagamento de condomínio


Quais documentos guardar para sempre


♦ Documentos pessoais

♦ Certidões

♦ Passaportes

♦ Escrituras

♦ Carnês do INSS

♦ Hollerites

♦ Testamento



ETAPA 3

ORGANIZE OS DOCUMENTOS QUE PRECISAM SER GUARDADOS EM CATEGORIAS

Por que categorizá-los? Assim fica mais fácil encontrá-los uma vez que estão separados por categorias. Para isso, pegue aquela pilha de documentos que precisam ser arquivados e comece a separá-los e organizá-los. Algumas das categorias mais comuns segundo a personal organizer Donna Smallin são:


Seguros – de carro, casa, vida, invalidez, médico.


Finanças – contas bancárias, contas de crédito, hipotecas, investimentos.


Propriedades – recibos relativos à casa (reformas, decoração, objetos de valor), manuais e recibos de equipamentos eletroeletrônicos, documentos de compra de automóveis e recibos de oficinas.

Impostos – recibos do ano em curso e outros documentos relativos a taxas em geral.

Registros médicos.

Registros veterinários.

Com base nas categorias acima, crie o seu próprio arquivo!


ETAPA 4

ORGANIZE OS DOCUMENTOS EM PASTAS OU CAIXAS ORGANIZADORAS

Agora que você já separou os documentos em categorias, é hora de começar a guardá-los. Existem caixas, maletas e pastas dos mais diferentes tamanhos, formatos e cores nas papelarias. Você deve escolher o método que melhor se adapte as suas necessidades. Por exemplo, se você vai guardar a papelada em uma gaveta grande, opte pelas pastas comuns e pastas sanfonadas. Se o que você pretende é guardar os documentos em uma estante, opte pelas caixas e maletas arquivo.


O mais legal é que você consegue comprar tudo pela internet e receber em casa!


1 – Caixa Organizadora Média Branco

2 – Maleta Arquivo Empilhável

3 – Pasta Sanfonada 12 divisórias

4 – Caixa Organizadora Média Preto

5 – Maleta Arquivo com Pastas Suspensas


Com todo o material em mãos, comece a organizar os documentos dentro das pastas. Na frente dela, escreva o nome da categoria principal – por exemplo, “contas pagas”. Então, em cada uma das abas dentro da pasta, escreva o nome da subcategoria – por exemplo, “luz”, “água”, “telefone” e “aluguel”. Faça isso até todos os documentos estarem organizados e guardados!


Outra dica legal é usar uma caixa organizadora para guardar e organizar os álbuns de fotografia. Aqui em casa, eles ficavam todos espalhados dentro de uma gaveta e eu decidi guardar tudo dentro de uma caixa organizadora. Coloquei a caixa na estante da sala, assim as fotografias ficam de fácil acesso e a caixa ainda decora a estante!


ETAPA 5

ORGANIZE AS CONTAS A PAGAR

É interessante criar um arquivo apenas para as contas a pagar. Separe uma pasta ou uma caixa apenas para isso. Você deve deixá-la sempre ao alcance das mãos para colocar ali todas as contas a pagar. Outra ideia: você pode também organizar as contas a pagar em uma pasta sanfonada onde cada divisão destine-se a um mês do ano e ir guardando ali as contas por mês de vencimento. Faça como parecer melhor para você!


E essas foram as dicas para você colocar ordem na papelada e na sua vida financeira de uma vez por todas! Falamos sobre organizar contas e documentos, mas é claro que existem outra infinidade de papéis que se acumulam em casa sem percebermos. Mas isso é assunto para outro post! 


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Veja mais sobre Como organizar DOCUMENTOS e CONTAS no youtube









01/12/2025

Garfield 5: toneladas de diversão

  Esta é uma tira do gibi Garfield 5: Toneladas de diversão, e está na página 113.


Em Garfield – Toneladas de diversão, o gato mais amado do mundo sai de férias com seu dono, Jon, e o cão Odie e vai aprontar as suas em uma praia tropical. E para mostrar que além de apetite e sarcasmo tem também coração, ele apresenta aos leitores seu mais querido companheiro: um ursinho de pelúcia.

Garfield foi criado pelo norte-americano Jim Davis em 1978 e figura em tiras publicadas diariamente em mais de 2,5 mil jornais do mundo inteiro.



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Gibi Garfield 5: toneladas de diversão





























11/11/2025

A Identidade do Demônio



A palavra "demônio" não é nem hebraica nem bíblica, mas grega. Este termo só é imposto entre os judeus por influência da mentalidade grega e porque a partir do século III a.C. a Bíblia hebraica foi gradualmente traduzida para o grego, a língua universal do momento, na cidade de Alexandria. Nesta versão grega do texto sagrado, chamada tradução da Septuaginta, "satanás" às vezes é traduzido como "demônio". 

Ora, mesmo que a palavra "diabo" não exista adequadamente, o que há, pelo menos, no Antigo Testamento hebraico que corresponda à noção de que essa palavra significa? A primeira resposta também é dada e já a destacamos acima: uma espécie de ideia difusa da existência objetiva, quase personalizada, de Alguém ou Algo que se opõe a Deus e ao homem, para pior.

Em segundo lugar, os "demônios" – com outros nomes – logo serão identificados com os gênios do mal hebreus, aqueles seres malignos do folclore hebraico.

Terceiro, "demônios" ou seres sobrenaturais são para os israelitas os espíritos dos mortos (Is 8, 19).

Quarto, os demônios são, desdenhosamente, as divindades dos gentios: o que os pagãos adoram são certos espíritos que se fazem passar por deuses fazendo com que os povos um tanto tolos os adorem e ofereçam sacrifícios.

Em quinto lugar, muitas das funções desempenhadas pelo que os gregos chamam de "demônios nocivos e devastadores" são desempenhados no Antigo Testamento pelos "anjos de Javé". Eles são, como Satanás, espíritos subordinados a Deusanjos em princípio bons ou neutros, que se vingam em Seu favor por algumas más ações e são portadores contra os homens de pragas e castigos.

Finalmente, no que diz respeito à origem desses "demônios", temos que verificar: assim como em todo o Antigo Testamento não há um único texto em que a origem dos anjos seja claramente falada, também não encontramos nenhuma passagem que diga claramente de onde vêm esses possíveis gênios malignos que os judeus de língua grega chamavam de "demônios".

Há, no entanto, um texto importante e obscuro do livro de Gênesis que desempenhará um papel crucial na explicação da origem dos espíritos malignos:  6,14. O texto diz que os "filhos de Deus", isto é, os anjos encarregados por Deus de vigiar a terra e que – segundo a concepção hebraica – estavam à espreita no primeiro céu (Livro de Enoque, eslavônico: publicado na série apócrifa do Antigo Testamento, volume IV), localizados imediatamente acima da terra, estavam fixados nas filhas dos homens,  apaixonaram-se por eles e de sua relação carnal nasceram os gigantes, de imensa estatura, "heróis de velhos homens de renome" (versículo 4).

Esse mito parece ser semelhante ao que explica na mitologia grega a origem de certos gigantes: seres semidivinos, de enorme força, que nasceram da união dos deuses com as mulheres.

O texto bíblico de Gênesis não diz nada diretamente sobre "demônios", mas veremos imediatamente como anos depois a literatura apócrifa do Antigo Testamento (séculos IV/III a.C.  s. EU A.D.) Ele vai amplificar esse motivo e usá-lo para explicar a origem desses espíritos malignos.

De repente, por volta de 150 ou 160 a.C. no livro de Tobias, que faz parte do grupo de escritos bíblicos "deuterocanônicos" (assim chamados porque judeus e protestantes não os admitem no cânon, mas os católicos o fazem), provavelmente originalmente escritos em grego, um demônio aparece com todas as suas propriedades. Este é o famoso Asmodeus.

Este termo é provavelmente retirado do panteão persa: Asmodeus seria um "aesma daeva", um dos sete espíritos malignos que acompanham Angra Mainyu ("O Espírito do Mal", Ahriman, seu comandante-em-chefe. Esse demônio, Asmoodeo, estava apaixonado por Sara, filha de Raguel, parente de Tobias. Para que ninguém – nenhum pretendente – a tocasse, o demônio ciumento matou na noite de núpcias os sucessivos maridos que foram introduzidos no tálamo nupcial.

Esse demônio é literalmente assustado, fumigado, pelo jovem Tobias, o herói da história. Graças à fumaça mágica produzida pela incineração do coração e do fígado de um peixe misterioso, pescado pelo próprio Tobias, com a ajuda do anjo que o acompanha, no rio Tigre, o demônio foge. O anjo Rafael parte em perseguição e o prende no Egito, onde o acorrenta deixando-o impotente. Tobias pode então se casar com Sarah.

Em outro livro tardio do Antigo Testamento, o da Sabedoria (2, 24), a serpente do paraíso já está claramente identificada com Satanás (em grego, o Diabo), uma identificação que será muito bem-sucedida no futuro.

E, finalmente, em um escrito apócrifo, a Vida (grega) de Adão e Eva – também chamada de "Apocalipse de Moisés" (17, 4), publicada nos Apócrifos do Antigo Testamento, volume II – faz a mesma associação.

Referindo-se à queda de Adão, o autor do Livro da Sabedoria diz: "Deus criou o homem incorruptível, fê-lo à imagem da sua própria natureza; mas da inveja do Diabo entrou no mundo a morte, e é experimentada pelos que lhe pertencem" (Sabedoria 2, 24).

Aqui Satanás aparece não apenas como um certo oponente de Deus, mas como um adversário e inimigo da humanidade. Além disso, o mal mais temido pelos homens, a morte, não vem mais da divindade. O autor atribui-o inteiramente ao pernicioso ser maligno desse ser maligno. Começa a desenhar com características mais precisas o que mais tarde seria a Encarnação do Mal, e inicia uma teologia (mais propriamente, uma "teodiceia" = tratado que "justifica Deus") que busca aliviar a divindade de sua responsabilidade na origem do mal.

Continuaremos a nos perguntar que mudanças ocorreram na religião judaica para que, de repente, os demônios apareçam com mais clareza.

Antônio Piñero




09/11/2025

Os 4 cavaleiros do apocalipse (explicados)

   

Fonte: https://www.bibliaon.com/os_cavaleiros_do_apocalipse/


 Os 4 cavaleiros do Apocalipse são figuras simbólicas descritas no livro de Apocalipse. Eles representam as forças destrutivas que trarão o fim dos tempos. O primeiro, montado em um cavalo branco, representa conquista ou engano. O segundo, no cavalo vermelho, simboliza guerra. O terceiro, no cavalo preto, representa fome. E o quarto, no cavalo amarelo, traz morte e doença. Esses símbolos alertam sobre crises humanas e espirituais na Terra.

A visão dos 4 Cavaleiros do Apocalipse foi descrita no livro de Apocalipse, pelo apóstolo João. Ele teve a visão profética enquanto estava na ilha de Patmos, onde foi exilado por sua fé em Jesus. Essa visão, registrada em Apocalipse, fala de eventos que acontecerão nos últimos tempos.

CavaleiroCavaloO que representaSímbolo
PrimeiroBrancoConquista ou enganoArco e coroa
SegundoVermelhoGuerra e violênciaEspada
TerceiroPretoFome e escassezBalança
QuartoAmareloMorte e doençaOutros meios

Em Apocalipse 6, os 4 Cavaleiros representam o início do juízo de Deus sobre um mundo corrupto e distante de Sua graça. Os cavalos simbolizam o poder e a rapidez com que esses eventos acontecerão. Cristo, como o Cordeiro, tem autoridade para abrir os selos, confirmando a veracidade da Palavra e garantindo que os juízos serão cumpridos. Essa passagem nos lembra que o maligno será derrotado, e Deus aplicará Sua justiça soberanamente, trazendo a vitória consumada na cruz.

Serão apresentados o significado de cada cavalo e suas cores, o que cada cavaleiro representa e os objetos que carregam. Esses elementos simbólicos trazem importantes lições espirituais e conexões com outras passagens da Bíblia, auxiliando na compreensão de sua mensagem.

1º. O cavaleiro no cavalo branco

O primeiro cavaleiro monta um cavalo branco e carrega um arco. Em Apocalipse 6:2 diz que este cavaleiro estava com uma coroa na cabeça e cavalgava como um vencedor.

Olhei, e diante de mim estava um cavalo branco. Seu cavaleiro empunhava um arco, e foi-lhe dada uma coroa; ele cavalgava como vencedor determinado a vencer.
- Apocalipse 6:2

o cavaleiro do apocalipse no cavalo branco

Há diferentes interpretações sobre seu significado. Alguns o veem como um símbolo de conquista ou domínio; outros acreditam que ele representa engano, por aparentar ser justo (o branco simboliza pureza), mas na realidade traz destruição. Essa interpretação conecta-se com advertências bíblicas sobre falsos messias.

E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane, porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.
- Mateus 24:4-5 ARC

Somos lembrados de que nem tudo o que parece justo e verdadeiro é de Deus. Para o cristão, é essencial discernir entre o que vem de Deus e o que é uma imitação enganosa. Essa lição reforça a importância de conhecermos a Palavra e buscar orientação do Espírito Santo para não ser levado por falsas doutrinas ou lideranças que desviam do Evangelho genuíno.

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
- João 8:32 ARC

Simbologia e significado do cavaleiro no cavalo branco:

  • Cavalo Branco: Simboliza pureza, mas também pode representar engano, associando-se a falsos messias.
  • Cavaleiro: Representa o poder de conquista ou a aparência de justiça, mas com intenções destrutivas.
  • Arco: Símbolo de poder e vitória, mas também de conquista por meios enganosos.
  • Coroa: Representa autoridade e domínio, ou falsas promessas de poder e sucesso.
  • Vencedor: Indica um líder com aparência de sucesso, mas com intenções que podem ser destrutivas.

Veja mais sobre o cavalo branco do Apocalipse.

2º. O cavaleiro no cavalo vermelho

Em Apocalipse 6:4, o segundo cavaleiro aparece montado em um cavalo vermelho, simbolizando guerra e violência.

Então saiu outro cavalo; e este era vermelho. Seu cavaleiro recebeu poder para tirar a paz da terra e fazer que os homens se matassem uns aos outros. E lhe foi dada uma grande espada.
- Apocalipse 6:4

cavaleiro do apocalipse no cavalo vermelho

Ele recebe uma grande espada e o poder de tirar a paz da terra, provocando conflitos e derramamento de sangue. O vermelho, associado ao sangue e ao fogo, destaca o impacto devastador da guerra. Essa visão ecoa as palavras de Jesus em Mateus 24:6-7, que descreve guerras como um dos sinais dos últimos tempos.

Vocês ouvirão falar de guerras e rumores de guerras, mas não tenham medo. É necessário que tais coisas aconteçam, mas ainda não é o fim.
- Mateus 24:6

Esse cavaleiro nos faz refletir sobre o custo humano e espiritual dos conflitos. As guerras não apenas destroem vidas, mas também afastam as pessoas da paz que Deus oferece. Como cristãos, somos chamados a ser pacificadores e a orar por justiça e reconciliação (Mateus 5:9).

Essa visão nos lembra que as divisões e rivalidades humanas não podem trazer verdadeira paz; somente Cristo, o Príncipe da Paz, pode restaurar harmonia em um mundo cheio de ódio e violência.

Simbologia e significado do cavaleiro no cavalo vermelho:

  • Cavalo vermelho: Representa guerra, violência e derramamento de sangue, causando destruição e divisão.
  • Cavaleiro: Simboliza o poder de causar conflito, destruição e tirar a paz da terra.
  • Espada: Símbolo de violência e guerra, usada para destruir e espalhar o caos.
  • Vermelho: Cor associada ao sangue, destacando a intensidade e o sofrimento causado pelos conflitos.
  • Tirar a paz: Reflete o impacto devastador da guerra, que destrói a harmonia e a unidade.

3º. O cavaleiro no cavalo preto

O terceiro cavaleiro, descrito em Apocalipse 6:5-6, monta um cavalo preto e carrega uma balança, representando fome e escassez.

Quando o Cordeiro abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivente dizer: "Venha!" Olhei, e diante de mim estava um cavalo preto. Seu cavaleiro tinha na mão uma balança.
Então ouvi o que parecia uma voz entre os quatro seres viventes, dizendo: "Um quilo de trigo por um denário e três quilos de cevada por um denário, e não danifique o azeite e o vinho!"
- Apocalipse 6:5-6

O texto menciona o alto custo do trigo e da cevada, enquanto o azeite e o vinho são poupados. Isso reflete uma crise econômica e social, onde os bens essenciais são inacessíveis para muitos, mas itens de luxo permanecem disponíveis, acentuando a desigualdade.

o cavaleiro do apocalipse no cavalo preto

Esse cavaleiro nos desafia a refletir sobre como a injustiça e a desigualdade impactam o mundo. A fome é um resultado tanto de crises naturais quanto de má administração humana. Para o cristão, isso é um chamado à ação: cuidar dos necessitados, partilhar recursos e viver com compaixão.

A balança lembra que Deus é justo e, no tempo certo, trará equilíbrio e justiça para todos. É também um lembrete de depender de Deus para suprir nossas necessidades.

O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus.
- Filipenses 4:19

Simbologia e significado do cavaleiro no cavalo preto:

  • Cavalo preto: Representa fome, escassez e crises econômicas, refletindo desigualdade e privação.
  • Cavaleiro: Simboliza a autoridade sobre a escassez e o controle dos recursos essenciais.
  • Balança: Símbolo de julgamento e equilíbrio, representando a medição restrita de alimentos e recursos.
  • Trigo e cevada: Indicativos de escassez e altos preços, revelando a crise alimentar e desigualdade.
  • Azeite e vinho: Itens de luxo preservados, contrastando com a escassez dos bens essenciais para muitos.

4º. O cavaleiro no cavalo amarelo

O quarto cavaleiro, montado em um cavalo pálido, é chamado de “Morte”, e o Hades o segue (Apocalipse 6:8).

Olhei, e diante de mim estava um cavalo amarelo. Seu cavaleiro chamava-se Morte, e o Hades o seguia de perto. Foi-lhes dado poder sobre um quarto da terra para matar pela espada, pela fome, por pragas e por meio dos animais selvagens da terra.
- Apocalipse 6:8

Sua cor, pálida como a de um cadáver, simboliza morte e doença. Ele recebe autoridade para destruir com espada, fome, pestes e ataques de animais selvagens. Esse cavaleiro representa o impacto final do pecado: a morte física e espiritual.

cavaleiro apocalipse cavalo amarelo

Esse cavaleiro nos alerta para a fragilidade da vida humana e as consequências do afastamento de Deus. No entanto, para os que seguem Cristo, há esperança além da morte, pois Ele venceu o pecado e a morte (1 Coríntios 15:54-55).

Essa visão reforça a urgência de compartilharmos o Evangelho, para que outros conheçam a vida eterna em Cristo. Mesmo em meio à destruição, a promessa de Deus é clara: em Cristo, há salvação e vitória final sobre a morte.

Simbologia e significado do cavaleiro no cavalo amarelo:

  • Cavalo amarelo: Cor pálida simboliza a morte e doenças, refletindo a destruição física e espiritual.
  • Cavaleiro (Morte): Representa a morte física e espiritual, com autoridade para destruir pela violência e fome.
  • Hades: Acompanhante da Morte, simboliza o reino dos mortos, seguindo a destruição causada pelo cavaleiro.
  • Espada: Símbolo de violência e morte, refletindo a destruição causada por conflitos e batalhas.
  • Fome: Representa escassez e sofrimento, contribuindo para a morte em grande escala.
  • Pragas: Simbolizam doenças e pestes que espalham a morte e o sofrimento pelo mundo.
  • Animais selvagens: Representam a destruição pela natureza, um meio de propagação da morte e caos.

Os cavaleiros do apocalipse refletem o juízo de Deus, alinhando-se com outras passagens proféticas, como os discursos de Jesus sobre os últimos dias (Mateus 24 e Lucas 21). Eles alertam para crises humanas, espirituais e naturais que antecederão o retorno de Cristo. Os cavaleiros também ecoam advertências sobre os efeitos do pecado no mundo, desde a queda no Éden.

Essa passagem em Apocalipse 6 não deve causar medo, mas lembrar da soberania de Deus e da importância de estarmos em comunhão com Ele. Apesar dos julgamentos, a Bíblia promete esperança para os que confiam em Cristo, pois Ele é o Cordeiro verdadeiro que venceu o pecado, a morte e nos trouxe a Salvação.

ATENÇÃO: As imagens deste conteúdo são apenas interpretações ilustrativas

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Veja algumas ilustraçoes dos cavaleiros do Apocalipse feitas por mim no Blog Artes de Joice Souza R.: 

O 1º Cavaleiro do Apocalipse (Branco)
O 2º Cavaleiro do Apocalipse (Vermelho)
O 3º Cavaleiro do Apocalipse (O do cavalo Preto) PESTE